Dani Lins dá detalhes sobre cura de tumor em tempo recorde, um mês antes da final da Superliga

GloboEsporte.com / Arcílio Neto


Faltavam duas rodadas para o fim da primeira fase da Superliga Feminina de Vôlei e o diagnóstico de um tumor abalava o mundo de Dani Lins. A campeoníssima levantadora do Sesi-Bauru descobriu um nódulo na tireoide em um exame de rotina na primeira quinzena de março de 2025 .

Poucos dias se passaram e a jogadora superou esse problema de saúde com a mesma facilidade que distribui os passes em uma partida de vôlei. Como a descoberta foi em estágio inicial, uma única cirurgia foi suficiente para curá-la totalmente.

Em menos de duas semanas, Dani Lins estava ainda com os pontos da cirurgia, mas já curada e pronta para brilhar no mata-mata da Superliga.

O Sesi-Bauru passou pelo Fluminense nas quartas, pelo Praia Clube na semifinal e encara o Osasco na grande final desta quinta-feira, às 15h45 (horário de Brasília), no ginásio do Ibirapuera. A decisão terá transmissão ao vivo da TV Globo, sportv2 e ge.

Na entrevista coletiva na véspera da finalíssima, a levantadora e capitã do Sesi deu detalhes sobre o turbilhão de sentimentos e a cura em tempo recorde.

– Foi um ano bem difícil. Minha volta depois da cirurgia foi um choque para mim, na época, e fiquei muito preocupada. No momento que eu descobri que eu estava com tumor, eu não conseguia me fazer forte. Fiquei uma semana e meia esperando sair resultado e, neste meio tempo, fiquei bem nervosa.

– O doutor Alexandre, que foi meu médico cirurgião em Bauru, e o médico Carlos da Unimed, me deixaram tranquila quanto a cirurgia. Eu falava: 'doutor, eu quero fazer ontem essa cirurgia. Quando eu vou voltar?'. Eu sempre tive uma cabeça muito forte para passar por tudo isso da melhor forma possível, sorrindo e feliz. Isso me ajudou na volta. Além das meninas, a comissão, todo mundo de Bauru que me encontrava na rua. A energia positiva sempre me contagiou muito. Essa minha volta em 12 dias não foi porque eu fiz um esforço. Eu fui liberada – revelou a atleta.

Casada com o medalhista olímpico Sidão, Dani Lins também contou que o apoio recebido em casa foi crucial.

– Falei para o Henrique (Modenesi, técnico) que eu estava liberada e ele falou para irmos aos poucos. Eu treinei alguns dias, joguei e falei: 'Seja o que Deus quiser'. Tenho o Sidão em casa e ele falou: 'Amor, não são oito dias que vão fazer você parar de dar o toque'. E isso me deixou muito tranquila. Treinamos três dias, fomos para o jogo e vida que segue. Eu com a cabeça muito boa, a cabeça em paz e tudo deu certo – concluiu a levantadora.

No auge dos 40 anos de idade, Dani Lins busca o sexto título da Superliga e o primeiro pelo Sesi-Bauru. Com a seleção brasileira, a levantadora conquistou o ouro nas Olimpíadas de Londres 2012, o tetracampeonato do Grand Prix e o Pan-Americano de 2011.

Parceiro de longa data da jogadora, o técnico do clube bauruense, Henrique Modenesi, falou sobre o "momento turbulento" do diagnóstico, mas comemorou o final feliz.

– Foi um momento difícil da temporada. Primeiro pela pessoa que a Dani é, sempre alegre, em alto astral. A Dani por ser a capitã, a levantadora que ela é, ficamos preocupados. Mas, depois vieram as notícias boas e os médicos foram tranquilizando a gente. Fomos entendendo que se ela tivesse dificuldade para voltar, trabalharíamos com o que tínhamos. Mas sabíamos que tinha a possibilidade dela voltar. Foi um momento turbulento, mas depois deu tudo certo – finalizou o técnico do Sesi-Bauru.


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