Editorias / Meio Ambiente
Jovem de Corumbá vai representar o Pantanal de MS na COP-30
Estudante de biologia quer levar ciência, representatividade e a voz das comunidades pantaneiras à conferência
Informativo MS/Inara Silva / Campo Grande News
Eloize Cáceres Duarte, estudante de Ciências Biológicas da UFMS, foi selecionada para representar a juventude do Pantanal Sul na COP-30, em Belém. Aos 19 anos, a jovem corumbaense integrará uma comitiva de 12 representantes dos biomas brasileiros no evento sobre mudanças climáticas. Filha de pescador e educadora, Eloize desenvolveu forte conexão com o Pantanal desde cedo. Atualmente, pesquisa o uso de bactérias nativas como alternativa sustentável aos agrotóxicos. Junto com Maura Polocio, de Cáceres (MT), ela levará as demandas das comunidades pantaneiras ao evento global.
“Estou muito ansiosa e animada. Nunca viajei de avião e, em outubro, vou para Sergipe apresentar minha pesquisa; em novembro, será Belém. É a primeira vez que vou viver algo tão grande', conta Eloize, visivelmente emocionada.
Raízes pantaneiras - Nascida e criada em Corumbá, na Capital do Pantanal, Eloize cresceu entre as histórias do pai, Robson Duarte, pescador e apaixonado pelo rio Paraguai, e os livros da mãe, Eronildes, educadora.
Desde pequena, ouvia relatos do pai sobre a pesca, as cheias e a piracema no rio Paraguai, experiências que moldaram sua relação com o Pantanal. Acompanhada do pai, Eloize participou ativamente de todas as edições do Festival Pesque e Solte, voltado para crianças e adolescentes.
“Meu pai sempre me ensinou a olhar para o Pantanal com cuidado. Hoje, como estudante de biologia, entendo a importância desse bioma não só para o meio ambiente, mas para a população que dele depende', lembra.
Oriunda de escola pública, foi no ensino médio que ela despertou para as questões ambientais. Participou de feiras de ciências e se destacou em iniciação científica ainda nessa fase.
Sua pesquisa atual foca na aplicação de bactérias nativas para o crescimento de plantas, como a alface, substituindo agrotóxicos e promovendo práticas sustentáveis na agricultura familiar.
“Desde cedo percebi que a ciência é ferramenta de transformação social. Aprendi que é possível aliar pesquisa, educação e serviço à comunidade', afirma.
Representatividade - Por conta da atuação no ativismo ambiental, Eloize já ministrou palestras em Corumbá e Campo Grande, sempre destacando a importância da juventude na proteção do Pantanal.
“Sou negra, de escola pública, pesquisadora e pantaneira. Vivo essa representatividade todos os dias e espero inspirar outros jovens a fazerem o mesmo', resume.
Desde que foi selecionada para representar o bioma, ela tem sido reconhecida em Corumbá como “a pantaneira que vai para a COP' e muitos chegam a dar sugestões de pauta, principalmente sobre o combate às queimadas no Pantanal.
Eloize afirma que conhece bem a realidade dos ribeirinhos e dos quilombolas da região e o quanto têm sofrido os impactos da crise climática.
“Os pantaneiros não queimam o Pantanal. Eles são esquecidos, mas são os que mais cuidam do bioma. Minha missão é levar a voz desse povo e mostrar ao mundo a importância do Pantanal', explica.
Comitiva - Eloize vai representar o Pantanal juntamente com Maura Polocio, de Cáceres (MT). Mestre em Ciências Ambientais, Maura é uma jovem bióloga negra, com ascendência indígena, e tem sido porta-voz das demandas da juventude pantaneira em fóruns climáticos regionais, nacionais e internacionais.
Na COP-30, elas se unem a outros 10 jovens de diferentes biomas brasileiros, mas ainda não têm a confirmação de quais reuniões ou eventos de que irão participar.
A escolha da comitiva jovem foi feita pela Secretaria Nacional da Juventude, que busca incluir o protagonismo juvenil na pauta do clima. Com isso, serão levados à COP dois jovens por bioma - Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal - para fomentar debates a partir das realidades locais e explorar propostas criativas e inovadoras como forma de enfrentar a mudança do clima.
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