Após 15 anos, grupo é atualizado para delimitar área indígena no sul de MS

Nova portaria determina estudos nas áreas Iguatemipeguá II e III, reivindicada pelos guarani-kaiowá

Silvia Frias / Campo Grande News


Portaria da Funai (Fundação Nacional do Índio) atualizou a composição do GT (Grupo de Trabalho) que irá fazer estudos complementares para identificação e delimitação do território reivindicado pelos indígenas guarani, territórios denominados como Iguatemipeguá II e III e que área de quatro municípios no sul de Mato Grosso do Sul.

A nova composição atualiza portaria publicada em setembro de 2010, que havia instituído o GT para esta mesma função. A equipe terá 60 dias para entrega de planos de estudos pelo coordenador.

A reportagem questionou a Funai se houve algum andamento do estudo desde 2010 e aguarda retorno.

A portaria publicada hoje no Diário Oficial da União mantém a antropóloga Alexandra Barbosa da Silva como coordenadora do GT, agora com novos integrantes: a geógrafa Amanda Christinne Nascimento Marques e os antropólogos Diego Vartuli Cavanellas, Amanda Gioriatti Lunkes, Maria Elita do Nascimento e Marlon Nilton da Silva Galvão.

A equipe será responsável por realizar “estudos complementares de natureza antropológica, etno-histórica, sociológica, jurídica, cartográfica e ambiental necessários à identificação e delimitação de terras tradicionalmente ocupadas pelos guarani' na região que compreende a bacia Iguatemipeguá, antes chamada de Iguatemipeguá II e III, nos municípios de Amambai, Coronel Sapucaia, Paranhos e Tacuru.

Ainda não há estudo preliminar que identifique o tamanho da área, mas a nova publicação altera termos da portaria publicada em 6 de setembro de 2010, excluindo do estudo áreas dos municípios de Aral Moreira, Iguatemi e Dourados.

Histórico – Em 2013, a Funai havia aprovado as conclusões do trabalho de identificação da Terra Indígena Iguatemipeguá I, que abrange os tekoha (terras tradicionais) Mbarakay e Pyelito Kuê.

A área reivindicada tem 41 mil hectares e é denominada pelos indígenas de Pyelito Kuê. Os guarani-kaiowá moram em uma aldeia próxima, de 90 hectares. Na época, conforme publicação do governo federal, o território era ocupado por 1,8 mil indígenas.

Após a identificação da área, o processo ainda não foi finalizado, sendo motivo de constante tensão entre indígenas e produtores rurais. Em novembro de 2023, os guarani-kaiowá ocuparam parte da área.

Naquele período, equipe de documentaristas, que registrava a situação vivida pelos indígenas, foi até Iguatemi e acabou sendo agredida por homens que seriam seguranças dos produtores da área reivindicada.


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